Revista Concreto & Construções - edição 89 - page 70

70 | CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018
as quais, por sua vez, também, pos-
suem boa correlação com as diferen-
tes mudanças colorimétricas, oca-
sionadas pela presença do pigmento
inorgânico base óxido de ferro. O pilar
protótipo teve um bom desempenho
quando exposto 180min (3h) ao fogo,
mantendo sua integridade original
preservada em uma seção trans-
versal aproximada de 59cm x 59cm
(dimensão original de 70cm x 70cm),
onde a coloração vermelha se mante-
ve (vide Fig. 5);
3. A redução das propriedades mecâ-
nicas residuais do aço foi mais signi-
ficativa quanto maior a temperatura
e quanto maior o diâmetro da barra
de aço. Sendo mais evidente ain-
da, devido ao processo de têmpera
empregado em sua fabricação, se o
tipo de resfriamento da amostra for
do tipo “ao ar”, sem uso de jatos
de água. Observou-se também que
os resultados obtidos nos ensaios
de propriedades residuais não po-
dem ser considerados diretamente
na avaliação do comportamento do
material durante o evento de simula-
ção de incêndio, pois parte de suas
propriedades é de fato recuperada
na etapa de resfriamento (pós-incên-
dio). O caso mais expressivo deste
fenômeno está relacionado com as
armaduras de aço que estão no inte-
rior do elemento de concreto arma-
do: durante o incêndio, dependendo
do posicionamento e da temperatu-
ra, podem perder da ordem de 75%
ou mais de sua resistência mecânica
à tração, a qual pode ser quase in-
tegralmente recuperada dependen-
do do método de resfriamento e da
temperatura máxima atingida;
4. Quanto aos resultados obtidos nos
ensaios residuais, observa-se que
o emprego de exames de caracte-
rização mineralógica e de análises
térmicas pode contribuir potencial-
mente para avaliação de estruturas
que sofreram intensa ação do calor,
procedente de um cenário de incên-
dio, com a ressalva da interpretação
correta dos resultados, no que tan-
ge principalmente a contaminação
de água nas amostras extraídas. Foi
possível constatar uma mineralogia
diferenciada, além de uma redu-
ção menos significativa de massa,
as quais foram condizentes com as
partes mais degradadas do concre-
to, na região da periferia da seção
transversal do pilar protótipo. Desta-
ca-se que essas regiões degradadas
também coincidem com os índices
colorimétricos e, por conseguinte,
com as mais altas temperaturas.
6. AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem especialmen-
te ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas
(IPT) pelo apoio nos ensaios de simulação
de incêndio e principalmente nos ensaios
residuais do concreto e aço; às associa-
ções e institutos nacionais ABCP (Asso-
ciação Brasileira de Cimento Portland),
ABECE (Associação Brasileira de Enge-
nharia e Consultoria Estrutural), ABESC
(Associação Brasileira das Empresas de
Serviços de Concretagem) e IBTS (Insti-
tuto Brasileiro de Telas Soldadas), pelo
apoio profissional e financeiro; às empre-
sas BASF, ENGEMIX, TECNUM, GCP,
VIAPOL, FRANÇA & ASSOCIADOS, RM
SOLUÇÕES, EKIPE-C e PhD ENGE-
NHARIA, pelo fornecimento de materiais,
equipamentos especiais, mão de obra
e suporte financeiro para o desenvolvi-
mento e a realização de todo o programa
experimental; e finalmente agradecem
ao ilustre Dr. Venkatesh Kodur, que, em
passagem pelo Brasil, acompanhou a
pesquisa e trocou valiosas informações
com estes pesquisadores.
1. BRITEZ, C. A.; HELENE, P.; BILESKY, P.; BERTO, A. Avaliação experimental do concreto armado de alta resistência submetido a elevadas temperaturas. Concreto
& Construção, v. 67, p. 90-99, 2012.
2. HELENE, P.R.L.; HARTMANN, C.T. HPCC in Brazilian office tower. Concrete International, v.25, n.12, p. 64-68, Dec. 2003.
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