Revista Concreto & Construções - edição 86 - page 25

CONCRETO & Construções | Ed. 86 | Abr – Jun • 2017 | 25
Segundo a ABNT NBR 7212:2012
o recebimento do concreto endurecido
é o ato pelo qual se constata, mediante
ensaios ou outras verificações, o atendi-
mento às especificações e às exigências
do pedido (“de compra”). A avaliação do
concreto fresco compreende a verifica-
ção da consistência pelo abatimento do
tronco de cone, ou espalhamento, em
função do tipo de concreto previamente
especificado no pedido (“de compra”),
e a comprovação da dimensão máxi-
ma característica do agregado graúdo
solicitada. Os subitens 6 e 7 da ABNT
NBR 7212 tratam, respectivamente, do
Controle do processo de dosagem da
central e da Análise do processo. No
Controle do processo é definida a amos-
tragem a ser seguida pela empresa se
serviço de concretagem, a formação de
amostragem, os documentos de entre-
ga, o que deve constar em uma carta de
traço, critério de descarte de resultados
espúrios e, por fim, o cálculo do des-
vio padrão da central (S
n
). A Análise do
processo, através do Desvio Padrão da
Central (S
n
), permite avaliar o Controle
do processo e classificá-lo em níveis (Ní-
vel 1, Nível 2, Nível 3 e Nível 4). A ABNT
NBR 7212 permite utilizar outros méto-
dos de controle da qualidade, como ACI
214 (o qual o autor deste artigo utiliza) ou
EN 2016-1.
Uma conceituação básica para
Controle Tecnológico é a que o define
como a atividade que tem por finalida-
de verificar se os materiais empregados
na elaboração do concreto atendem as
suas respectivas normas, bem como a
ABNT NBR 12655. Um conceito mais
amplo para Controle Tecnológico se-
ria a análise e verificação do concreto
e seus materiais constituintes, além
do acompanhamento dos serviços
de concretagem, recebimento, lança-
mento, vibração, desforma e cura do
concreto. Pela própria definição pode-
-se constatar que o Controle é muito
mais do que simplesmente determinar
a consistência (determinar o “slump”),
moldar e romper corpos de prova (cp).
A equipe de Controle Tecnológico tem
que ter conhecimento técnico e experi-
ência prática para realização desta ati-
vidade, como veremos adiante. Como
exemplo, pode-se citar um caso de
obra onde o Engenheiro do Controle
Tecnológico foi substituído quatro ve-
zes, e isto ocorreu porque foram co-
locados na função profissionais com-
petentes em fiscalização de obra, mas
não aptos para coordenar a equipe
de Controle Tecnológico naquele mo-
mento. É comum, mesmo em grandes
obras, deixar a cargo de Engenheiros
Júniores o Controle Tecnológico, sem
que os mesmos estejam preparados
para isto, e o pior sem qualquer orien-
tação técnica.
Há um desconhecimento por parte
dos envolvidos de que os parâmetros
especificados em Projeto têm que ser
atendidos, segundo as normas brasilei-
ras ou internacionais de cada material
(seguindo métodos de ensaio padroni-
zados). Esses limites somente são váli-
dos se a metodologia de ensaio defini-
da na norma for rigorosamente seguida.
Um exemplo básico é a velocidade de
ruptura dos corpos de prova, que é li-
mitada por norma e interfere no resul-
tado. Houve um caso bastante interes-
sante de um pavimento de concreto,
onde a Resistência à Tração na Flexão
de Projeto não estava sendo obtida. O
ensaio foi realizado corretamente; por
isso, foi sugerido rever o traço. Antes
da mudança do traço um novo ensaio
em outro laboratório foi realizado, que
usava uma velocidade bem superior à
máxima permitida pela norma ABNT
NBR 12142:2010 (a qual cita em seu
subitem 5.3 que o aumento da tensão
deverá estar compreendido no interva-
lo de 0,9 MPa/min a 1,2 MPa/min). Os
resultados atenderam à especificação,
mas, na realidade, isto ocorria por um
erro no ensaio, não porque o concreto
era bom. Nesse caso o traço de con-
creto foi corrigido.
Outro exemplo interessante é o do
ensaio de Durabilidade do Agregado ao
ataque por sulfato de Sódio e Magné-
sio (“Soundness Test: ASTM C 88”, ou
DNER ME 089/94 – Agregados – Ava-
liação da durabilidade pelo emprego
de sulfato de sódio ou de magnésio).
Conforme poderá ser observado a se-
guir há vários fatores citados, que po-
derão interferir no resultado do ensaio.
Os fatores que afetam a precisão deste
ensaio são:
u
Temperatura da solução;
u
Variação da Temperatura da solução
durante o ensaio;
u
Idade da solução;
u
Concentração da solução;
u
Pureza da água usada para fazer a
solução;
u
Recipiente usado para imersão das
amostras, etc.
No caso do ataque por sulfato, por
exemplo, é importante ressaltar que a
u
Figura 2
Corpo de prova rompido em
uma pequena parte
1...,15,16,17,18,19,20,21,22,23,24 26,27,28,29,30,31,32,33,34,35,...100
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